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  Analistas esperam corte de 0,5 na reunião do Copom  
 
Segunda, 12 de Dezembro de 2005. fonte: Tribuna da Imprensa
 

SÃO PAULO - A ata da reunião de novembro do Comitê de Política Monetária (Copom), o encontro trimestral do Banco Central (BC) com o mercado e o desentendimento entre membros do governo sobre a condução da política econômica estão por trás da opinião da maioria dos analistas que aguardam mais um corte de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic.

De acordo com 46 economistas ouvidos, 37 esperam esta decisão do Copom na próxima quarta-feira. Nove apresentaram projeções mais agressivas, de corte de 0,75 ponto.

Na avaliação dos mais "conservadores", pouca coisa se alterou no cenário econômico desde a reunião de novembro. "Só isso já seria um motivo para manter a magnitude dos cortes em 0,5 ponto", afirmou a economista Cristiane Quartaroli, do Banco Santander.

"Há falta de novidades e mesmo o PIB em queda foi relativizado pelo BC. Portanto, o contexto não justifica um corte de 0,75 ponto", reforçou o economista da MCM Consultores, Antonio Madeira.

Mas outros pontos pesaram na formação das apostas destes profissionais. A ata de novembro, segundo o diretor de Renda Fixa do Ático Asset Management, Renato Szklo, deixou muito claro que os cortes da Selic seguiriam no mesmo ritmo. "A ata trouxe uma coloração de que o corte seria de 0,5 ponto", disse.

Flexibilização

Para o economista-chefe da SulAmérica de Investimentos, Newton Camargo Rosa, a explicação é mais simples do que pretendem outros analistas. "Esperamos uma redução de 0,5 ponto percentual para encerrar o ano em 18% e manter a coerência com a flexibilização gradual da Selic, como disse a ata do mês passado", afirmou o economista

A queda da produção industrial e do Produto Interno Bruto (PIB), segundo Camargo Rosa, é coisa do passado. "E o BC olha para a frente", disse, recorrendo aos indicadores antecedentes disponíveis que apontam para uma melhora no nível de atividade em novembro.

Preocupação do BC influencia analistas

A reunião trimestral dos diretores do Banco Central com o mercado, na semana passada, também influenciou os analistas. Para os participantes, o BC mostrou-se preocupado com a inflação e nem tanto com os dados negativos dos PIB no terceiro trimestre. "Após a reunião com os economistas e depois da ata, acredito que o BC opte por manter o ritmo de cortes", disse o economista-chefe da ARX Capital Management, Alexandre de SantAnna.

Um ponto que, em princípio, parece alheio à decisão da autoridade monetária, mas que ganhou relevância entre os economistas, foi o debate aberto e as criticas sobre a condução da política econômica por representantes do governo e de instituições e empresas públicas.

O descontentamento sobre a condução da política monetária demonstrada pelo presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, pela ministra Dilma Rousseff e pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guido Mantega, pode causar um efeito contrário, na avaliação dos profissionais.

"A briga entre Dilma e (o ministro da Fazenda, Antonio) Palocci mais a afirmação de Gabrielli e recentemente do Ministro Furlan, podem fazer com que o BC dê meio ponto de corte para não gerar a leitura de que há interferência externa na decisão sobre juros", salientou o gerente de mesa de operação do Banco Pine, Diogo Rehder.

Fogo amigo

Como resposta a este "fogo amigo", o presidente do BC, Henrique Meirelles, deixou claro que manterá o gradualismo, na avaliação dos economistas da GAP Asset Management, Alexandre Maia; do Banco Banif Primus, Eduardo Galasini, e do Banco Cruzeiro do Sul, Márcia Dantas. "Acho que este é o melhor caminho mesmo (um corte de 0,5 ponto). Não existe milagre, como disse Meirelles", afirmou Márcia.

 

 
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