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  Turbulências externas quebram seqüência de queda do dólar  
 
Quarta, 05 de Fevereiro de 2003. fonte: Tribuna da Imprensa
 

SÃO PAULO - A turbulência no cenário externo abalou ontem o mercado brasileiro, levando o dólar a fechar em alta de 1,56%, cotado a R$ 3,57, na máxima do dia, e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) a recuar 3,05%. Num cenário marcado por incertezas entre os Estados Unidos e o Iraque e pelo péssimo desempenho das bolsas internacionais - afetadas também pelos maus resultados de empresas americanas e européias - boa parte dos investidores domésticos preferiu a segurança da moeda americana, que subiu depois de registrar quatro quedas seguidas.

Os títulos da dívida de países emergentes foram castigados. O C-Bond, o papel brasileiro mais negociado, recuou 1,07%, fechando em 69,125% do valor de face. O recuo dos títulos da dívida brasileira levou à alta de 2,62% do risco país, para 1.333 pontos.

O diretor de Tesouraria do banco Lloyds TSB, Pedro Thomazoni, ressalta que as indefinições no cenário externo têm provocado uma forte redução do apetite dos investidores do mundo todo por ativos de risco, afetando moedas, ações e títulos da dívida de países emergentes como o Brasil. "As bolsas americanas e européias passam por um momento muito ruim. Há uma crise no mercado internacional de capitais, que reduz a expectativa de fluxos de recursos para os mercados emergentes", afirma.

A economista Maristella Ansanelli, da Tendências Consultoria Integrada, lembra ainda que o baixo volume negociado no mercado de câmbio tem contribuído decisivamente para o aumento da volatilidade do dólar. Ontem o giro financeiro no mercado à vista foi de US$ 651,5 milhões - volumes na casa de US$ 1,5 bilhão são considerados expressivos. "Com liquidez baixa, qualquer movimento de compra de dólares acaba pressionando a moeda", afirma.

Para Maristella, as incertezas em relação ao timing de um conflito entre os Estados Unidos e o Iraque - tido como um evento inevitável pela maior parte dos analistas - e ao grau de apoio que o presidente George W. Bush terá da comunidade internacional levam os investidores a assumir uma posição cautelosa em relação aos ativos brasileiros, ainda que haja boas notícias no cenário doméstico (como a expectativa de aumento da meta do superávit fiscal, a ser anunciado nos próximos dias).

Para alguns operadores, um motivo técnico ajudou a pressionar as cotações: a proximidade do vencimento de US$ 2,5 bilhões de dívida cambial, no dia 13. A expectativa dos analistas é que o BC comece a tentar rolar esses papéis ainda nesta semana. A taxa dos contratos de cupom cambial (que reflete o nível do juro em dólar) para julho subiu ontem de 12,5% para 14,4% ao ano. O juro desses contratos serve de referência para a remuneração pedida pelos investidores nos leilões de rolagem de papéis cambiais.

 

 
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