Dívida grega e mercado de trabalho dos EUA centram as atenções em semana de pessimismo

Em semana marcada em maior parte pelo pessimismo dos mercados globais, os principais índices financeiros do Brasil e dos EUA registraram perdas acumuladas na semana que se encerrou nesta sexta-feira, apesar da divulgação de noticias positivas.
Em especial, destaque para o plano de reestruturação da dívida soberana grega, que ganhou a adesão de 95,7% de seus credores, e ajudou a diminuir as quedas nas bolsas na última sessão.  De acordo com a autoridade de Gestão da Dívida Pública (PDMA) da Grécia, o total da dívida renegociada foi de 197 bilhões de euros.
O país conseguiu fazer com que seus credores privados aceitassem receber apenas 46,5% do valor dos bônus (títulos que o governo emite para arrecadar dinheiro para o país e depois remunera a uma taxa de juros) a que tinham direito. Essa parcela de credores tem 152 bilhões de euros em dívida grega.
A eles se somam os possuidores do resto da dívida inscritos em leis diferentes da grega, que enviaram seu “consentimento” para proceder à reestruturação de seus títulos. Segundo os cálculos da PDMA, a soma destes dois tipos de bônus chegaria a 197 bilhões de euros, ou seja, 95,7% dos 206 bilhões em dívida a reestruturar.
Nos EUA, a semana foi de divulgação de poucos indicadores, porém, de grande importância. Destaque para os dados do mercado de trabalho do país, que apontaram para a abertura de 227 mil vagas de emprego, resultado acima do esperado, de 204 mil postos. A alta fez com que a taxa de desocupação se mantivesse estável no período, em 8,3%. As informações são do Departamento de Trabalho do país.
Já a consultoria ADP anunciou que as vagas de trabalho no setor privado aumentaram em 216 mil em fevereiro, liderado pelo setor prestador de serviços e pequenas empresas. O ganho de janeiro foi revisado para 173 mil a partir de uma estimativa anterior de 170 mil.
Além disso, investidores conheceram que a produtividade do trabalhador no país foi maior no quarto trimestre de 2011 do que era esperado, mas o custo de produção de bens e serviços saltou por causa de um forte aumento de salário por hora, segundo dados do governo revisados.
O Departamento de Trabalho divulgou que a produtividade subiu 0,9% nos três últimos meses de 2011, contra uma estimativa inicial de 0,7%, ao passo que o custo do trabalho subiu 1,2%, como anteriormente estimado.
Outro indicador importante, o ISM Service, divulgado pelo institute for Supply Management, expandiu-se a um ritmo maior do que o esperado em fevereiro. O indicador, composto pelas empresas do setor de serviços dos EUA – que emprega a maior parte da força de trabalho do país – registrou 57,3 pontos em fevereiro ante 56,8 em janeiro. A expectativa dos analistas de mercado era de que fossem registrados apenas 56 pontos neste período. Leituras a cima de 50 pontos indicam expansão em vez de contração.
Já os pedidos às fábricas norte-americanas recuaram 1% em janeiro, para US$ 462,6 bilhões, informou nesta segunda-feira o Departamento de Comércio do país. Em dezembro, o ganho foi revisado para 1,4%, contra estimativa inicial de alta de 1,1% das encomendas.
Destaque ainda para o déficit comercial dos EUA, que aumentou 4,3% em janeiro para 52,6 bilhões dólares, a maior diferença entre impostações e exportações desde outubro de 2008. O déficit comercial ficou acima da previsão dos analistas de mercado, de -U$ 48.8 bilhões.
Além disso, os estoques no atacado subiram 0,4% em janeiro, alta ligeiramente menor do que o esperado. Os economistas tinham previsto um aumento de cerca de 0,6% no período.
Ainda no cenário exteno, a China estabeleceu a menor meta de crescimento do país em oito anos, de 7,5%. O país reduziu a meta de crescimento de seu Produto Interno Bruto (PIB) para 2012, contra o 9,2% alcançado no ano passado, a fim de reorientar o modelo de desenvolvimento econômico para o consumo interno.
Assim, o índice Dow Jones registrou variação negativa de 0,4% na semana, aos 12922 pontos, ao passo que o S&P teve +0,1%, aos 1370 pontos. Veja gráficos abaixo:


Mercado Local
No cenário local, a semana trouxe uma série de resultados importantes, principalmente em relação à taxa de juros e à inflação.
No período, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu cortar em 0,75 ponto percentual a taxa Selic, que passou de 10,5% para 9,75% ao ano. O resultado surpreendeu o mercado, que apostava em redução de 0,5 ponto percentual.
Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA do mês de fevereiro apresentou resultado de 0,45%, abaixo da taxa de 0,56% registrada no mês de janeiro. Os dados foram divulgados pelo IBGE.
Destaque ainda para IPC-S, que apresentou variação de 0,41%, 0,17 ponto percentual acima da taxa registrada na última divulgação, com alta nas sete capitais pesquisadas pela Fundação Getulio Vargas (FGV). , As maiores altas foram observadas em Belo Horizonte e Recife: 0,29 ponto percentual.
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), por sua vez, variou 0,23% no primeiro decêndio do mês de março, ao passo que o IPC de São Paulo caiu 0,07 por cento em fevereiro, ante alta de 0,66 por cento em janeiro, puxado principalmente pelo grupo Alimentação.
Além disso, o mercado conheceu que o PIB brasileiro cresceu 0,30% ao final do trimestre passado, na margem, e aumentou 1,40% em relação ao quarto trimestre de 2010. Em 2011, o PIB do País teve aumento de 2,7%. Em valores, a economia brasileira somou R$ 4,143 trilhões.
Já a produção industrial brasileira teve queda de 2,1% em janeiro ante dezembro, bem pior que o previsto pelo mercado.
Desta forma, a Bovespa acumulou perdas de 1,6%, e fechou aos 66704 pontos. Veja gráfico abaixo, seguido de tabela com as maiores altas e baixas do período, bem como relação dos ativos mais negociados:

Ativo

Código

Último

Variação
MARFRIG

MRFG3

11,31

9,38%
BR MALLS PAR

BRML3

24,00

7,58%
P.ACUCAR-CBD

PCAR4

86,50

7,48%
AMBEV

AMBV4

73,67

6,46%
DURATEX

DTEX3

10,16

6,28%
 

Ativo

Código

Último

Variação
MMX MINER

MMXM3

9,14

-8,32%
VALE

VALE5

39,93

-7,78%
BRADESPAR

BRAP4

33,65

-7,68%
VALE

VALE3

41,11

-7,51%
BRASKEM

BRKM5

15,15

-7,06%
 

Ativo

Código

Último

Volume
VALE

VALE5

R$ 39,93

3.520.275.136,00
PETROBRAS

PETR4

R$ 23,71

1.890.326.592,00
ITAUUNIBANCO

ITUB4

R$ 38,42

1.180.684.368,00
VALE

VALE3

R$ 41,11

989.488.816,00
BRADESCO

BBDC4

R$ 32,57

932.493.296,00
 
Mercado Cambial
O dólar comercial acumulou ganhos expressivos na semana, e voltou a se aproximar da barreira de R$ 1,80. A forte valorização da moeda fez com que o Banco Central interrompesse as intervenções diárias que costuma realizar para impulsionar as cotações, através dos leilões de compra de divisas.
Mesmo assim, o dólar terminou a semana com alta de 3%, cotado a R$ 1,7840. Veja gráfico abaixo:

 

Fonte: Enfoque Informações Financeiras

Recebido em:
09/03/2012 18:25:47

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